terça-feira, 1 de novembro de 2011

Uma pedra de gelo em vez de um coração

Fui sempre apaixonada por ter muitos filhos mas nem sempre a vida  proporciona ou estamos na melhor altura para que isso aconteça. Fiquei grávida da terceira filha com 29 anos, foi por acaso ou por ordenação do Pai. O meu marido não achou muita graça, pois não estava nos planos dele ser mais uma vez pai, entretanto eu estava deslumbrante com tal milagre. Entretanto como estava a passar bem, acabei por fazer a primeira consulta ás 12 semanas de gestação. Nesta altura estava completamente só porque o meu marido estava numa missão fora do pais.Quando me encontro numa sala de ecografia, para saber sobre o meu bebé,o médico, muito apreensivo e com algum desconforto demorava com o exame para me dar com certeza o que vinha por aí. -"O seu bebé tem um problema de espinha Bifida ou uma  Trissomia (mongolismo) ,mas vai falar com o seu médico que lhe será explicada estas malformações ".  Não têm a noção de como fiquei, abriu-se um buraco tão fundo na minha vida que não sabia o que fazer, ainda para  mais sozinha para decidir seja o que fosse.
Eu já tinha passado por duas gravidezes muito desejadas e esta não era menos do que as outras, só que aconteceu-me algo tão inesperado no meu corpo, que eu  hoje com 43 anos ainda não consegui explicar. O meu corpo rejeitou automaticamente este Ser, que por três meses me fez tão feliz. Eu tinha dito ao médico que não poderia ter este bebé, por isso já estava marcada a cirurgia para abortar. O que me marcou, depois desta tristeza, foi o que me aconteceu uns dias antes do aborto. Com 12 semanas de gestação é quase impossível uma mulher sentir movimentos fortes, de um Ser que tem milímetros e isso aconteceu-me de uma tal forma que me assustei e comentei "como posso sentir tal força na minha barriga a pontos de me atormentar", entretanto isto durou o tempo suficiente para que eu sentisse remorsos de não querer aquele Ser deformado e que iria sofrer muito quando nasce-se. No dia seguinte, foi o dia mais triste da minha vida ,um turbilhão de coisas se passou no meu cérebro e quando me voltaram a fazer a ecografia, o meu bebé tinha morrido, dentro de mim, naquele dia, em que senti os empurrões e sacudidelas de um Ser que estava triste comigo por não o ter aceite, como ele era com todos os seus defeitos e deformações. A partir deste dia fiquei uma mulher com menos um pedaço, nestes dias chorei muito, mas depois de me culpar todos os dia por sentir que este Ser me tinha escolhido e eu não o quis, durante seis anos congelei as meus sentimentos e nunca mais chorei para me penalizar, porque sempre me vou culpar pelo que me aconteceu, para o resto da minha vida.Nunca mais me sensibilizei  com nada, nem quando alguém conhecido morria ,não tinha lágrimas  e não havia como ter, tinha  uma pedra de gelo no lugar do coração.


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